
Uma máquina de fazer sumo da Terra e não haver sumo na Terra, senão suor proveniente da máquina e do seu esforço incómodo, humilhante e repetido para o conseguir.
Uma máquina de barbear mentiras, mas sem lâminas capazes de cortar rente os pêlos encravados das mentiras. A face mentirosa cheia de pistas de sangue e pequenas insurreições, mas a barba intacta, como se as mentiras fossem parasitas de ferro e amassem os pêlos em toda a sua extensão e península.
Uma máquina de costurar segredos. Segredos desfeitos. Impossíveis de coser. Nem com a linha mais inventiva. A paciência mais pálida e solene. A precisão de deus quando opera a sua autonomia relativa. E os segredos degradados, como doentes parkinsónicos, perdidos de riso, fazendo tremer o repouso onde a inutilidade de tudo exerce a sua vocação vazia.
Uma máquina de fazer máquinas de fazer cócegas a tudo isto.