
Deuss disse: dei-vos a possibilidade das lágrimas e vós persistis na recomendação do mutismo. Já não falais com chuva nos olhos, já para não falar nas palavras despidas. Nem o vosso olhar agradece o olhar do outro, como na primeira noite, onde tudo aconteceu e houve nuvens e nada ainda existia. A vossa noite atrai agora a idolatria (e só a idolatria), forma o hímen complacente daquilo que deserda o mistério por fé no equívoco e não protege ninguém.
A vossa noite não tem senão um corredor, muito íngreme e comprido, com portas regulares de ambos os lados, quartos com vista para todos os troféus, nenhum tão próximo, porém, da conveniência das janelas partidas. As vossas noites, outrora claras e cabalísticas, usufruem agora apenas do inesquecível como quem desenrola a vida em conserva e sente o cheiro oco da preservação do engenho, o corpo dietético do momento decisivo, o pequeno prazer de não estar vivo e continuar apesar da técnica do adeus. As vossas noites aborrecem-se lentamente na fórmula química do crime, como árvores que dessem frutos prejudiciais para aquele que não prova, mas observa.
Olá,
ResponderEliminarCurioso,"fórmula química do crime... prejudiciais para aquele...(que) observa (!)",
mas acho, quem prova dessa noite ou joga ou se ilude, vive? Fora de (bem) viver não ficará o prejudicial?
Anabela Basinha