quinta-feira, 17 de junho de 2010

Life pretending death




Quando o mote é o amor finjo-me de morto
e mudo de conversa, de Veneza e de canal
e de hábitos nocturnos e tristes
e quando não posso fingir-me de morto
uso uma técnica em tudo parecida à vida
que um beijo plagia
na sua perfeição sufocante.

Pratico um certo tipo obscuro de sedação
procuro que a minha escola hipnagógica
aflija a tua pele de instantes
irreversíveis.
Por exemplo:
interessa-se sobretudo que o meu nível de consciência
se entregue a uma diminuição radical de luz e periferias,
mas que nunca perca de vista
o assalto que é preciso fazer sempre
que o outro morre também
quando o mote é o amor
e as práticas obscuras de ambos
acusam uma intimidade rasgada
precisamente no mesmo vínculo
perdido.

5 comentários:

  1. Meu DEUS, André...
    até dói de lindo...
    fiquei ... sem palavras.
    De longe o melhor, de sempre!

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  2. Que belo poema, caro André!
    Quase uma tautologia de seus olhos...

    Bárbara T.

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  3. Não sei o que escrever sobre este poema. Só sei dizer que o que escreveste é lindo. A vida sem amor não faz sentido e se sentimos que está a fugir, a morrer, podemos fingir que não percebemos ou então tentamos arranjar algo que o substitua, se é que existe.
    É arrepiante e ao mesmo tempo belo e verdadeiro.
    Por muito que doa a perca, temos que a aceitar, vivendo a VIDA até que nada e ninguém nos diga nada. Fugir e fingir não resulta, o amor tem que existir, pois que seria de nós sem ele. Os relacionamentos são complicados e há sempre alguém que sofre.
    "O direito do mais forte à liberdade".

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  4. mas mudas sp de conversa e de canal ou so as vezes ?? parece m bem .. mto bem ...

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